
“A fúria não é de modo nenhum uma reação automática diante da miséria e do sofrimento em sim mesmos; ninguém se enfurece com uma doença incurável ou um tremor de terra, ou com condições sociais que parecem impossíveis de modificar.
A fúria irrompe somente quando há boas razões para crer que tais condições poderiam ser mudadas e não são. Só manifestamos uma reação de fúria quando nosso senso de justiça é injuriado; tal reação em absoluto não se produz por nos sentirmos pessoalmente vítimas da injustiça, como prova toda a história das revoluções, nas quais o movimento começou por iniciativa das classes superiores, conduzindo à revolta dos oprimidos e miseráveis.”
Hannah Arendt, Crises of the Republic, 1969